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RAÍZES
Aldeia de Vergão, Portugal
Na aldeia de Vergão, o trabalho agrícola, o ciclo tradicional do linho e a atividade dos resineiros constituem as principais referências na pintura mural realizada, que procura recuperar e valorizar a memória de um território profundamente ligado à terra e aos seus recursos naturais. A representação do ciclo do linho assume particular relevância na composição artística, evocando um processo artesanal complexo, que começa na flor e percorre várias etapas até à obtenção do fio e à sua transformação no tear. Desde a sementeira e o crescimento da planta até à colheita, à secagem, à maceração, à espadelagem e à fiação, o linho exige um conjunto de conhecimentos e gestos tradicionais que foram sendo transmitidos entre gerações. O malhar, enquanto prática associada aos trabalhos agrícolas, constitui outra referência importante desta intervenção. Esta atividade, tradicionalmente realizada em contexto comunitário, evoca os ritmos do trabalho no campo, a entreajuda e a organização coletiva que caracterizavam a vida rural. Os resineiros acrescentam uma dimensão igualmente significativa à narrativa visual. A extração da resina, atividade historicamente ligada à exploração dos pinhais, representa um saber especializado e um trabalho exigente, desenvolvido em estreita relação com a floresta. Ao reunir estas diferentes referências, a pintura mural constrói uma narrativa visual sobre o trabalho, os saberes tradicionais e a relação da comunidade com a paisagem. O linho, o malhar e a resinagem surgem como testemunhos de um património cultural que ultrapassa a dimensão material das ferramentas e dos produtos, integrando também os gestos, as experiências e as memórias de quem protagonizou estas atividades.




















